Wisliane diz que em casos de vítimas de traumas, que precisam de tomografias, a situação se repete e os “favores” são novamente solicitados. “É muito longe ir pra Goiânia, vivemos uma situação complexa”, finaliza.
Em Morrinhos, na Região Sul do Estado, pelo menos três pacientes da rede pública morreram em 2019 por falta de vagas em UTI, segundo a Secretaria Municipal de Saúde da cidade.
Superintendente de Regulação e Políticas Públicas da SMS de Goiânia, Andréia Alcântara, afirma que não existe a negação de vagas de urgência e emergência para nenhuma cidade. “No caso da regulação dos leitos hospitalares não tem a pactuação, os outros municípios pedem e nós a procuramos.”
Andréia explica que a ocupação da vaga independe da localidade do paciente, sendo utilizado apenas o critério clínico e o perfil dos leitos. “Metade das vagas são ocupadas por pacientes do interior. O questionamento dos gestores se dá porque cada um só conhece a sua realidade, nós que conhecemos a situação global sabemos que não existe isso de negar uma vaga. Não parte da premissa da localidade.”
Em Aparecida de Goiânia, o diretor de Avaliação e Controle da SMS, Luciano de Moura, reforça que 40% dos 53 leitos locais são ocupados por pacientes de outras cidades. “De forma alguma há o privilégio para quem é da cidade, é só pelo estado clínico, pela gravidade do caso.”
Moura garante que o problema em relação a falta de vagas de UTIs reclamado pelos gestores municipais do interior ocorre em razão da quantidade e do perfil dos pacientes. “Em Aparecida, por exemplo, temos serviços especializados em neurologia, existe então uma facilidade maior em ter vagas nesta especialidade, mas já há grande dificuldade em leito oncológico.”